XXVI Seminario Latinoamericano DE Educación Musical

"Músicas y Pedagogías Inauditas: Educación musical latinoamericana
para los nuevos tiempos"

Palavras de Adriana Rodrigues

Presidenta de FLADEM – 
XXVI Seminario en Heredia, Costa Rica, 2022.

Querides amiges, artistas, estudantes e educadores musicais flademianes.

Depois de dois anos flutuando nas nuvens em encontros virtuais, finalmente aterrizamos em Heredia! A Costa Rica é um país muito especial para nós, não só porque a fundação do FLADEM foi concretizada em 1995 em San José, como Carmen Mendez uma das fundadoras do Foro é costa-ricense.

 

Nada melhor do que sentir os cheiros, os sabores, as peles e ouvir os sons de um país, de um povo, que nos oferece uma nova paisagem sonora, uma oportunidade de ouvir e conhecer suas músicas e pedagogias inauditas. Todos nós sentimos na pele e no bolso os sofrimentos e empobrecimentos dos artistas e professores de música durante esses dois anos, e neste sentindo, poder assistir e ouvir o Seminário é acalentador.

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Fuente de imagen: Lorena Rivera

Lutamos pela democratização do Seminário, e nesse XXVI todos têm acesso de uma maneira presencial ou virtual, dentro das suas possibilidades, e todos são sempre bem-vindos.

Os temas dos seminários são discutidos em reuniões do Comitê Acadêmico, e este ano chegamos a esse que leva o título do seminário “Músicas y Pedagogías Inauditas: Educación musical latinoamericana para los nuevos tempos”

Tenho orgulho de pertencer a esse fórum que de alguma maneira procura refletir, destampar e trazer aos nossos ouvidos as vozes abafadas por tantos séculos de silenciamento, vozes inauditas dos que sempre foram exterminados ou colocados à margem pelos poderes hegemônicos e genocidas.

 

As músicas e pedagogias musicais inauditas da nossa América Latina são as que fazem pulsar nossos corações e gingar nossos corpos. São vozes pretas, indígenas, africanas, amazônicas, caipiras, faveladas, femininas, transfemininas, lésbicas, bichas, trans, travestis, rurais e urbanas, são as que estão nas ruas, nos bailes, nos ritos, nos terreiros, nos cantos de trabalho, são as que soam nos corredores e pátios e não nas salas de aulas das escolas, são as que vibram do lado de fora dos prédios gradeados, e das casas da periferia, são as vozes dos terreiros, são as vozes perseguidas, as vozes presas, as consideradas inauditas porque “malditas” para muitos.

 

As músicas e pedagogias inauditas muitas vezes são chamadas e vendidas como exóticas e ensinadas nas escolas (quando são) como “folclore”. São ouvidas e cantadas nas datas comemorativas, como Dia do Folclore, do índio, do negro, ou no da cultura popular, como se houvesse apenas um dia para que a nossa cultura fosse lembrada; são músicas e pedagogias musicais penduradas nas estantes, tendo permissão para saírem do confinamento apenas naquele dia, voltando em seguida para o seu cárcere.

Nas pesquisas acadêmicas aparecem como músicas “não formais”, como são chamadas as pedagogias do choro, do candomblé, do reggaeton, da payada, da surera, da cumbia, festejo, la punta garifona, caribenha, mayos e caribenha entre muitas outras.

As músicas e pedagogias musicais chamadas de “contemporâneas” também são inauditas, pois só ecoam em salas “especiais”, em dias e/ou semanas “especiais”, e nos esquecemos que contemporâneo é o tempo em que vivemos.

 

As músicas e pedagogias musicais que imperam na educação musical já as conhecemos e por elas nos reverenciamos todos os dias, beijamos suas mãos ajoelhados, como o povo fazia aos imperadores; estas já foram traduzidas, lidas e extensivamente publicadas, divulgadas e valorizadas.

E para que ou por que uma educação musical, que apenas continue perpetuando o que já está lavrado em todas as pedras e marcados em nossas peles como bois pelos seus donos?

 

A partir de quando a notação, o repertório e as pedagogias tradicionais europeias deixarão de reinar para simplesmente caminharem lado a lado com as nossas? Até quando as afinações e notações musicais latinoamericanas deixarão de ter um papel secundário, exótico e informal?

 

Este XXVI Seminário vem provocar e sugerir uma inversão de papéis, para que as músicas e pedagogias musicais inauditas sejam ouvidas e reconhecidas em todos os ambientes, e não apenas como educação informal e/ou não tradicional e sim como as nossas músicas e pedagogias latino-americanas, as que pulsam e ecoam nos nossos corações. O FLADEM busca com suas ações ampliar a multiplicidade de vozes que tecem a América Latina.

 

Este é o momento em que podemos reforçar nossas identidades e culturas latino-americanas, tão sufocadas e silenciadas.

Que Victoria Santa Cruz e seu poema “Me gritaron Negra” sejam celebrados em seu centenário e que possam ecoar em todos os cantos e recantos da nossa América Latina (https://www.youtube.com/watch?v=cHr8DTNRZdg)

 

Desejo a todos um ótimo Seminário e que sirva de inspiração a tantos professores e estudantes para também explorarem, em seus países, em suas cidades, em suas instituições o repertorio inaudito que está sendo sugerido no tema do Seminário e nas muitas práticas que terão oportunidade de assistir. Espero que também sirva de inspiração para nós, latinoamericanos, valorizarmos as nossas vozes e passarmos a trabalhar as músicas e pedagogias musicais inauditas como nossas e para sempre audíveis.

Adriana Rodrigues, Heredia, 18 de julho de 2022.

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Fuente de imagen: Lorena Rivera

PalaBras de Adriana Rodrigues

Presidenta de FLADEM – 
XXVI Seminario en Heredia, Costa Rica, 2022.

Querides amigues, artistas, estudiantes y educadores musicales flademianes:

 

Después de dos años de estar oscilando entre las nubes, en encuentros virtuales,

finalmente aterrizamos en Heredia!

Costa Rica es un país muy especial para nosotros; no solo porque la fundación de FLADEM fue concretada en 1995 aquí en San José, sino también, porque Carmen Méndez -una de las fundadoras del Foro- es costarricense.

Nada mejor que percibir los olores, los sabores, sentir las pieles, y oír los sonidos de un país, de un pueblo, que al ofrecernos un nuevo paisaje sonoro, nos brinda la oportunidad de escuchar y conocer sus músicas y pedagogías inauditas.  Durante estos dos años, todos sentimos en la piel y en el bolsillo, el sufrimiento y el empobrecimiento de los artistas y educadores musicales, y en ese sentido, poder asistir y escuchar de manera presencial el Seminario, es alentador. Luchamos por la democratización del Seminario y en esta XXVI edición, hemos logrado que todos tengan acceso ya sea de manera presencial o virtual, dentro de sus posibilidades, siendo todos siempre bienvenidos.

Los temas de los seminarios son discutidos en reuniones del Comité Académico, y este año llegamos a éste seminario en Costa Rica, que lleva como título “Músicas y Pedagogías inauditas: Educación musical latinoamericana para los nuevos tiempos”. Me enorgullece pertenecer a este Foro que de alguna manera procura reflexionar, develar y traer a nuestros oídos, voces apagadas por tantos siglos de silenciamiento;  esas voces inauditas de los que han sido exterminados o colocados al margen por los poderes hegemónicos y genocidas.

Las músicas y pedagogías musicales inauditas de nuestra América Latina son las que hacen latir nuestros corazones y mover nuestros cuerpos. Son voces negras, indígenas, africanas, amazónicas, campesinas, de las favelas, voces femeninas, transfemeninas, lésbicas, gays, trans, travestis, no binarias, rurales y urbanas. Son las voces que están en las calles, en los bailes, en los ritos, en los patios traseros, en los cantos de trabajo; son las que suenan en los corredores y no en los salones de clase de las escuelas; son las que vibran fuera de los recintos cercados y de las casas de la periferia; son las voces de los excluídos, son las voces perseguidas, las voces prisioneras, las consideradas inauditas por ser malditas para muchos.

Las músicas y pedagogías inauditas muchas veces son llamadas, señaladas y vendidas como exóticas y son enseñadas en las escuelas (si acaso se hace) como “folklore”.  Son escuchadas y cantadas en las fiestas conmemorativas, como el “día del folklore”, “día del indio”, “del negro”, o de la “cultura popular”, como si solo hubiese y bastase un día para que nuestra cultura sea recordada. Son músicas y pedagogías guardadas y olvidadas en escaparates, que tienen permiso para salir del confinamiento únicamente en  ese día, para retornar de inmediato a su cárcel.

En las investigaciones académicas aparecen como músicas “no formales”, y son llamadas las pedagogías del choro, del candomblé, del reguetón, de la payada, de la surera, de la cumbia, del festejo, de la punta garífuna, de los mayos, o de la salsa caribeña, entre muchas otras.

Las músicas y pedagogías musicales llamadas “contemporáneas” también son inauditas, pues se escuchan en salas “especiales”, en días o semanas “especiales”, y nos olvidamos que contemporáneo es el tiempo en que vivimos.

Ya conocemos las músicas y pedagogías musicales que imperan en la educación musical. Las reverenciamos todos los días, besamos sus manos arrodillados ante ellas, como el pueblo hacía con los emperadores.  Éstas ya fueron traducidas, leídas y extensamente publicadas, divulgadas y valorizadas.

¿Para qué sirve una educación musical que perpetúa lo que ya está grabado en piedra al igual que las marcas que estampaban los hacendados sobre la piel de los bueyes? ¿Desde cuándo la notación y el repertorio de las pedagogías tradicionales europeas dejaron de reinar para simplemente caminar lado a lado con nosotros? ¿Hasta cuándo las afinaciones y notaciones musicales latinoamericanas dejarán de tener un papel secundario, exótico e informal

Este XXVI Seminario viene a provocar y sugerir la inversión de los papeles, para que las músicas y pedagogías inauditas sean escuchadas y reconocidas en todos los ambientes, y no solo consideradas como educación informal o no tradicional, y sí como las músicas y pedagogías latinoamericanas nuestras, las que palpitan y resuenan en nuestros corazones. El FLADEM busca con sus acciones ampliar la multiplicidad de voces que tiene América Latina.  Este es el momento en que podemos reforzar nuestras identidades y culturas latinoamericanas, tan sofocadas y silenciadas por tanto tempo.

Que Victoria Santa Cruz y su poema “Me gritaron negra” sean celebrados en su centenario y que sus cantos se puedan escuchar en todos los rincones de nuestra América Latina. (https://www.youtube.com/watch?v=cHr8DTNRZdg)

Les deseo a todos un óptimo Seminario, que sirva de inspiración tanto a profesores como a estudiantes, para que también exploren en sus países, en sus ciudades y en sus instituciones, la posibilidad de incorporar en su labor, el repertorio inaudito que está siendo sugerido como tema del seminário, en las diversas prácticas a las que tendrá oportunidad asistir. Espero que también sirva de inspiración para que los latinoamericanos valoremos nuestras voces y trabajemos como nuestras y siempre audibles, las músicas y pedagogías musicales inauditas.

Adriana Rodrigues, Heredia, 18 de julio de 2022.